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In Memoriam – Rubens Ewald Filho (2019), Por Paulo Gustavo Pereira

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In Memoriam – Rubens Ewald Filho (2019), Por Paulo Gustavo Pereira

O Brasil perdeu hoje um dos grandes críticos de cinema , Rubens Ewald Filho, que durante anos não só assinou colunas importantes sobre cinema, como também apresentou e comentou dezenas de transmissões do Oscar para o Brasil, fez teatro, escreveu telenovelas, produziu programas, juiz de festivais de cinema... Ele fez muito para o cinema. Mas o que eu vou falar agora é sobre o homem além do critico. Foi esse o Rubens Ewald Filho que eu conheci há mais de 40 anos.

Já conhecia o trabalho do Rubinho no Jornal da Tarde no final dos anos 70, quando ele assinava a coluna Os Filmes de Hoje na TV. Também assisti as primeiras transmissões do Oscar com ele comentando na Rede Globo, e vi vários programas da TV Cultura, onde discuti e analisava um filme que o canal iria exibir. Além de sua participação dando dicas de filmes em cartaz no Jornal Hoje, da Rede Globo.

Quando fui trabalhar na Globo em 1980, como assistente de estúdio do Jornalismo, encontrei-o pela primeira vez. Ele estava na redação terminando de escrever um texto que iria gravar para o Jornal da Globo. O fã dentro de fim, não resistiu e comecei a perguntar uma tonelada de coisas sobre filmes, cinema, astros e estrelas. Foram quase uma hora trocando figurinhas com um cara que, evidentemente, sábio muito mais do que eu.

O que eu notei, contudo, foi a tranquilidade e a paciência em suas respostas. Afinal, ele estava lá para trabalhar e eu, o soterrava com perguntas. Gravamos e ele me disse que tivesse mais alguma dúvida, poderia ligar para sua casa, onde ele trabalhava. Uau!! Mas não abusei da sorte. Meses depois, Nelson vieira, que trabalhava na divulgação da Fox, me convidou para ver Star Wars – O Império Contra-Ataca, e lá estava REF com outros jornalistas naquilo que acabou sendo convencionado como cabine de imprensa.

Dali pra frente, quando não trabalhava com ele na Globo, ok encontrava nas cabines. Um dia, ele me apresentou a um novo trabalho, algo que começava a revolucionar o jeito de assistir filmes, filmes em VHS. Sua coluna no Jornal da Tarde foi pioneira, mostrando vários videoclubes e as primeiras locadoras oferecendo vários filmes, ainda não oficiais, mas abrindo a possibilidade para um fã de cinema como eu, de assistir e rever preciosidades da Telona.

Ainda tinha meus prós e contras a visão do Rubinho sobre alguns filmes, mas aí é o fã falando de um especialista. Isso mudou anos depois quando estava no antigo Cine Metro, no centro de São Paulo, para ver a previa de Crocodilo Dundee 2, quando escuto uma voz conhecida: “vendo filme antes, Paulo Gustavo? E lá estava o famoso crítico de cinema assistindo do meu lado, não numa cabine, mas numa sessão regular de cinema.

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E ele gostava disso. Assistir a um filme, especialmente os mais populares, numa sessão com o publico tradicional. A ultima vez que fizemos isso, foi na previa de Star Trek: Além da Escuridão. Ele lembrava como os fãs de Jornada nas Estrelas sempre o tratou bem nas várias convenções em que ele participou. Com os filmes em VHS, ele começou a rever sua posição em relação a várias produções. Tem algum crítico que fez ou faz isso?

Quando me chamaram para produzir a transmissão do Oscar no SBT em 1994, o primeiro pedido foi saber se eu poderia pedir para o Rubinho comentar o Oscar. Tudo acão do Oscar no SBT em 1994, o primeiro pedido foi saber se eu poderia pedir para o Rubinho comentar o Oscar. Tudo acertado, Rubens Ewald Filho no SBT comentando a Festa mais importante do Cinema no SBT, onde ele ficou mais popular ainda e de quebra, acabou sendo contratado pelo Silvio Santos para escrever a nova novela da emissora, Éramos Seis.

Nossa relação sempre foi muito mas do que profissional. Tínhamos nossas diferenças sobre conteúdo, mas a relação de amizade sempre foi algo mais importante do que picuinhas sobre filmes ou séries. Trabalhei em vários veículos e sempre que tinha oportunidade, gostava de entrevista-lo. Rubens me incentivou a escrever o livro sobre série de TV, orientando para que buscasse a melhor informação para ter sempre um conteúdo diferenciado. Além do Almanaque dos Seriados, Rubens me convidou para escrever em seus Guias de DVD sobre série de TV, e também sobre nosso trabalho no SBT com o Oscar, especialmente em 2000, quando ficamos cinco anos seguidos mostrando para quem quiser, como se faz uma transmissão ao vivo e sem cortes da Festa mais importante do Cinema.

Há alguns anos convidei-o para uma experiência interessante chamado Quadro a Quadro, programa transmitido streaming pela antiga TV Geração Z. Ele, mais Eliane Munhoz, do Blog de Hollywood, e eu e Rogério Victorino , do programa Movie Business, tínhamos a intensão de falar tudo e qualquer coisa sobre cinema e televisão. Sem restrições e sem censura. Foi uma das primeiras vezes em que vi Rubinho se abrir como pessoa que gosta e sempre gostou de cinema.

É triste saber que após tantos anos à frente do Oscar na TNT, a transmissão desse ano não contou com seus comentários. Fiz uma entrevista com ele no ano passado para o canal TalkTV, onde falamos de tudo um pouco. Um pouco cansado com a quantidade de besteiras que se fala em nome do cinema, o papo foi meu ultimo papo profissional com essa lenda da crítica.

Lembro que com ele, não existia tempo feito. Rubens sempre dizia que sempre que estava de baixo astral, olhava sua coleção de filmes e escolhia um para levantar o ânimo. Um de seus preferidos era A Noviça Rebelde... Hoje, os amantes do cinema estão tristes por que perderam uma de suas vozes mais claras e divertidas. Perdi um amigo e um ídolo. Em sua homenagem, assistirei Rastros de Ódio, de John Ford, estrelado por John Wayne em 1956. O filmes me lembra muito meu falecido pai, Paulo Pereira, que também conhecida e admirava o Rubinho.. “Vamos para casa, Debbie”.

Confira uma das últimas entrevistas:

https://www.youtube.com/watch?v=5x_UXhasHtk