Carlos José

Lorenzo Lamas revela detalhes exclusivos sobre sua carreira

Carlos José
Lorenzo Lamas revela detalhes exclusivos sobre sua carreira

O apresentador do TALK TV Paulo Gustavo conversou com exclusividade com Lorenzo Lamas, que fez parte da série "Renegado" e ficou conhecido também pelos filmes de ação e aventura. Filho do ator argentino Fernando Lamas, Lorenzo contou detalhes sobre sua carreira, apoio dos pais, amigos, e seu primeiro passo rumo ao sucesso, quando trabalhou no filme Grease – Nos Tempos da Brilhantina, que está comemorando 40 anos com uma edição especial em DVD e BD.

Paulo Gustavo: atuar em Grease foi um passo importante na sua carreira...

 

 Arlene Dahl

Arlene Dahl

Lorenzo: Meus pais sempre me apoiaram na escolha que fiz. Minha mãe (Arlene Dahl, do clássico Viagem ao Centro da Terra – 1959) gostava da ideia, enquanto meu pai (Fernando Lamas, de A Viúva Alegre - 1952) me matriculou no Film Actors Workshop de Tony Barr, em Los Angeles. Quando eu era criança, trabalhei com meu pai no filme 100 Rifles (1969). Depois do curso, fiz algumas participações em série. Para chegar até Grease, a sorte ajudou um pouco. Após uma festa do Oscar, meu pai me apresentou para um dos produtores do filme. Foi um encontro informal e nem pensava em conseguir alguma coisa, depois que vi quem estava no filme.

 

 

Paulo Gustavo: Olivia-Netwon John e John Travolta te intimidaram?

Lorenzo: Não, sempre foram muito gentis e legais comigo. Mas era um pouco tímido e jamais imaginara que pudesse estar junto com elenco tão profissional como aquele. O que acabou acontecendo é que fui fazer teste para o papel do Tom Chisum mas não rolou. Alguns dias depois que a produção começou a trabalhar, recebo um telefone dizendo que estava contratado. Depois fiquei sabendo que Steve Ford, que passou no teste para ser o namorado da Olivia, acabou desistindo do papel.

 

Paulo Gustavo: O engraçado é que Tom não falava nada...

Lorenzo: Ele era pior do que eu (Risos). Ao mesmo tempo, tinha que ter aquela pose de grande jogador de futebol. Pra mim, independente se tom falasse ou não, estava numa super produção, com uma equipe fantástica e gente muito interessante de se conhecer. Sabe, eu fiquei praticamente todos os dias em locação acompanhando a filmagem, não queria perder nada.

 

 Lorenzo Lamas e Olivia Newton

Lorenzo Lamas e Olivia Newton

Paulo Gustavo: Você disse que Olivia e John não te intimidaram. Mas você conseguiu conversar e trocar idéias com eles?

Lorenzo: Sim, quando dava. Olívia ficava muito tempo em seu trailer mas tinha uma energia radiante. Muita gente dizia que ela estava muito insegura em atuar por causa de um filme antigo que ela fez e foi um fiasco. Tanto que ela pediu para os produtores de Grease em fazer um teste com o John para ter certeza de ela era a escolha certa para o filme. E claro que foi.

 

Paulo Gustavo: E quanto ao John Travolta?

Lorenzo: John gostava de mostrar que estava tudo bem, mas a gente sabia que não esteva. A morte de Diana Hyland (que trabalhou com ele em O Rapaz da Bolha de Plástico) o abalou muito. Algumas vezes, depois das filmagens, ele ficava com o pessoal da produção cantando e contando piadas. Acho que era o jeito dele lidar com a dor. Foi ele quem me inspirou a tirar o brevê de piloto.

 

Paulo Gustavo: Nesses quarenta anos desde o lançamento de Grease e tudo o que você já vez no cinema e na televisão, o que ficou marcado de importante?

Lorenzo: Acho que é o trabalho de equipe e confiar nas pessoas que estão do seu lado. Logo depois de Grease, fui fazer um teste para um dos personagens da série Falcon Crest (1981, inédita no Brasil). Era um papel importante e estava muito inseguro, especialmente por que no elenco estava uma antiga amiga da minha família, Jayne Wyman, que me conhecia desde que eu era um bebê. Alguns dias depois que estávamos iniciando a produção da série, ela me chamou no camarim e falou olhando pra mim sério: ou você foca no seu trabalho ou nunca será um ator respeitado.

 

Paulo Gustavo: Uau, isso sim é de intimidar...

Lorenzo: Sim, mas logo em seguida ela disse que iria me ajudar. A partir daquele dia, ela tirava um tempo para me ajudar a passar meu texto, ensinar o melhor jeito de atuar numa cena. Eu aprendi tudo com Jayne, ela foi muito mais do que uma colega de trabalho. Uma amiga que sinto falta até hoje. A série  foi um sucesso. Ficamos 9 temporadas no ar.

 

Paulo Gustavo: E você acabou sendo indicado ao Globo de Ouro como Ator Coadjuvante...

Lorenzo: Sim, foi legal na época. Mas também fui indicado ao Framboesa de Ouro em 1984 por Body Rock (risos).

 

Paulo Gustavo: Você conhece o Brasil?

Lorenzo: Gostaria de conhecer mais. Estive em São Paulo, há alguns anos, num evento de motociclistas que fazer ações sociais, como o grupo que pertenço aqui em Los Angeles. Isso começou a acontecer quando estava fazendo o seriado Renegado (exibido no Warner Channel e no SBT), onde meu personagem andava de moto pelo EUA caçando criminosos. São ações muito legais que vão desde cuidado com crianças até campanhas contra o câncer.

 

Paulo Gustavo: E como você vai comemorar os 40 anos de Grease?

Dançando e cantando... em casa com a minha família (risos). Falando sério, vão acontecer vários eventos promovidos pela Paramount para comemorar o filme e o lançamento dele em DVD e BD. Não sei o que tem de conteúdo extra, mas com certeza, que for assistir o filme vai gostar de tudo. Grease foi um dos grandes filmes eventos do cinema mundial. Um filme que tem tudo o que se espera de um filme legal: uma boa história, um fantástico elenco e músicas que são sucesso até hoje e acho que tem muita gente que não sabe que elas fazem parte desse filme. E quem não viu, não sabe o que está perdendo.